Certa
vez, ainda recém-convertido, conversava com pessoa a quem amo e nutro grande
respeito. Contava-lhe sobre minha vida, que meu pai já fora divorciado, que
meus irmãos mais velhos já haviam se divorciado, eu inclusive era divorciado.
De pronto aquele amigo sentenciou, eu e minha família havíamos sido acometidos
por uma maldição hereditária e eu, mesmo sendo nova criatura em Cristo, não estava
imune à aquela praga.
Começou, o amigo, a explanar, inclusive com a
autoridade de quem tinha feito um curso, onde havia uma cadeira só para tratar
de maldição hereditária, citou Êxodo 20.5: “Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque
eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos
filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.”
Explicou-me, que o pecado de um antepassado
meu poderia influenciar hoje, negativamente em minha vida, trazendo consequências
para meus descendentes e que aquilo que eu e minha família vivíamos era uma
maldição e seria necessário quebrá-la. Acredito que, naquele momento, meu amigo
foi sincero comigo, que realmente acreditava no que me pregava.
Existiria
uma maldição hereditária? Eu poderia ser responsabilizado pelos erros de
antepassados, por algo que não tive qualquer participação? Eu já era
convertido, não tinha fundamentos bíblicos para argumentar, mas meu coração não
me deixava crer naquilo.
Os
anos se passaram, fiz amizade com cristãos de várias denominações e descobri
que a doutrina da maldição hereditária é muito forte no meio evangélico.
Foi
quando surgiu o interesse em ter um resposta definitiva e inequívoca a respeito
do tema. Advirto que não é minha intenção agradar ou desagradar ninguém, meu
compromisso é com a Palavra.
Ao
iniciar o estudo, procurei lembrar de alguma passagem neotestamentária, nenhuma veio à mente, por
óbvio, se a suposta maldição hereditária fosse importante ela seria motivo de advertência
do nosso senhor Jesus. A única passagem que me recordei foi Rm 8.1, que fala
que não há condenação para quem está em Cristo Jesus. Somente isso me bastaria,
mas eu não queria que restassem dúvidas.
Então,
passei a estudar o versículo que dá fundamento à estudada doutrina, Êx. 20.5.
Inicialmente, cabe questionar, essa passagem bíblica se aplica a nós cristãos?
A resposta está na própria Bíblia e parece que não. Se considerássemos sua
aplicação a nós, deveríamos entender que fomos tirados do Egito, por Deus, nos
dias de hoje. Da leitura inicial do capítulo, percebemos que aqueles mandamentos
se dirigem aos judeus e tão-somente a estes, ora, se fossem válidos também aos
cristãos, deveríamos santificar o sábado (v. 8) e não o fazemos, então por que
validar somente parte daquela passagem? Assim, a tão falada maldição hereditária
não tem aplicação aos dias de hoje, muito menos a nós cristãos.
Desse
brevíssimo relato, temos que a doutrina a maldição hereditária não encontra
guarida na Palavra de Deus, não passando de invencionice, sem qualquer respaldo
bíblico.
Alguns
questionarão, mas como explicar, gerações e gerações de alcoólatras, de
divorciados, etc.? O que podemos ver nesses casos seriam problemas genéticos ou
de sociabilização, mas nunca causados “maldições”.
Amados
irmãos, o Evangelho é simples e não há por que complicá-lo. Cristo levou sobre
si todas as maldições, aquele que está Nele, está liberto, nova criatura é, as
coisas velhas se passaram, eis que tudo se fez novo (2Co 5.17). A Ele toda honra e
glória!!